A Emigração Alemã e a Colônia S. Pedro de Alcântara

A Emigração Alemã


O Brasil atraiu apenas 4,5 milhões de emigrantes europeus, de um contingente de 50 milhões que deixaram o velho continente do século 19 até a segunda guerra mundial (1939-1945). Os demais foram para os Estados Unidos, Austrália, Argentina, Uruguai ou outros destinos. Os alemães representaram aproximadamente 5% dos imigrantes que buscaram uma nova pátria no Brasil. Ao longo de mais de cem anos, chegaram ao Brasil aproximadamente 250 mil alemães.

As emigrações da primeira metade do século XIX foram provocadas pelas condições sócio-econômicas na Alemanha. Este século apesar do desenvolvimento técnico e industrial e conseqüente revolução social, também se caracterizou por guerras, destruição, fome e doenças. As guerras, principalmente as napoleônicas, fizeram com que fossem aumentados os tributos e instituído o serviço militar obrigatório. Depois, eram cobrados altos impostos para as reconstruções. Anos de colheitas fracassadas (o biênio de 1818/1819 ficou conhecido como anos da fome), o gado dizimado por doenças e os trigais atacados de ferrugem tornaram a situação insustentável.

Na região de Trier, ocupada pelos franceses, houve uma extraordinária redução da mortalidade infantil e conseqüente aumento da população motivado pela vacinação obrigatória das crianças, decretada por Napoleão. Além das dificuldades citadas, a baixa produtividade do solo e a escassez de terras fez com que a emigração fosse vista como a única saída para melhorar sua situação.

A partir de 1825, com as notícias positivas do sucesso da Colônia São Leopoldo no Rio Grande do Sul, o interesse na emigração para o Brasil aumentou em todas as regiões alemãs. E não foram somente os pobres que emigraram. O governo de Trier atesta, em 1828, que tanto abastados como pobres declaram, segundo informação dos prefeitos, que devido ao excesso de impostos de toda a espécie.......(aqui) não se agüenta mais e que no Brasil não poderiam estar em pior situação do que aqui.

O Governo Imperial do Brasil possuía agentes na Alemanha encarregados de recrutar soldados para o Exército. Foram estes que, a partir do desinteresse do Brasil por novos recrutamentos, promoveram a propaganda das vantagens que o governo oferecia às famílias que se quisessem estabelecer como colonos. Além de outras, o Governo brasileiro se encarregaria da passagem marítima e da alimentação durante a viagem e, uma vez no Brasil, seriam assistidos com utensílios agrícolas, com as primeiras provisões e com um subsídio diário até que estivessem em condições de eles mesmos se alimentarem.

Trier


A Catedral de S. Pedro e a Igreja de Nossa Senhora em Trier


Trier é uma das cidades mais ocidentais da Alemanha, situando-se no triângulo formado com Luxemburgo e França.
Localização de Trier, perto de Luxemburgo, oeste da Alemanha (clique sobre a foto para ver a imagem ampliada)


Fundada pelos romanos no ano 16 antes de Cristo como Augusta Treverorum, Trier é a cidade mais antiga da Alemanha. Como foi residência imperial e a capital do Império Romano do Ocidente no final do século 3º, chegou a ser considerada a segunda Roma. Seis imperadores residiram na cidade, que no século 4º já tinha 80 mil habitantes.

A Porta Nigra, o portão negro que os romanos construíram como entrada da cidade no ano 180 d.C., é o cartão de visita da cidade. Ela pertence ao Patrimônio Cultural da Humanidade, juntamente com as outras ruínas romanas: o anfiteatro, as termas do imperador e de Santa Bárbara e a imensa basílica que Constantino mandou construir no século 3º, usando-a como salão do trono. Trier continuou sendo centro de poder nos séculos seguintes. Depois dos romanos vieram os condes da Francônia e, a seguir, os arcebispos. Estes tornaram-se príncipes eleitores no século 12 e fizeram da cidade a capital do seu principado. Seu palácio – Kurfürstliches Palais – construído de 1757 a 1761 por um aluno do grande mestre Baltasar Neumann, é uma jóia do rococó. Trier tem uma população de 99.685 habitantes (30 de junho de 2005).

Hunsrück


Hunsrück é uma região montanhosa, de florestas, úmida e de muitas águas, entre o rio Mosela, o Estado do Sarre e o rio Reno, no oeste da Alemanha, atual Estado de Renânia-Palatinado (Rheinland - Pfalz).

O nome, segundo estudiosos alemães, pode ter o significado de dorso de cão (Hundsrücken), devido ao formato das montanhas. Segundo outros, o nome origina-se dos hunos (Hunesruck) que ali foram buscar abrigo depois de abandonados por Átila. Antes deles, a região pode ter sido habitada por ordem de César Graciano e chamada de Coloniam Sauromatum porque eram originários da Sarmatia. Mas os reis franceses chamavam a região de Pagum Hunnorum (povoado dos hunos). Há outras localidades da região que também lembram a origem dos hunos, como Hunolstein.

Entre 1824 e 1829 foram 4800 os hunsrüquianos que deixaram a Alemanha com destino ao Brasil.

Oberemmel


Oberemmel é um povoado cujo nome aparece pela primeira vez como Embilacum, em 11 de fevereiro de 893, num documento do Rei carolíngio Arnulf para os monges de St. Maximin. Este dia é festejado como o dia de sua fundação. Localidade pertencente a Konz (atualmente com 17.565 habitantes), Oberemmel tem 1.400 habitantes numa área de 1.371 hectares, dos quais 185 são vinhedos e 636 florestas. O turismo é dirigido àqueles que “curtem” a natureza e, principalmente, procuram descanso e silêncio. Apreciadores de caminhadas, ciclismo e vinhos finos riesling têm no local o ambiente ideal. Veja a localização de Trier, Konz e Oberemmel.

Mais informações culturais sobre Oberemmel em: Sehenswürdigkeit: Konz/Oberemmel: Bergwerk ...
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Colônia S. Pedro de Alcântara

Seis anos após a independência do Brasil, em 25 de outubro de 1828, Aviso Imperial mandava que o Presidente da Província de Santa Catarina estabelecesse os colonos alemães, que chegariam pelo bergantim Marques de Vianna, entre a Capital e a Vila de Lajes em lugar que mais comodidade oferecesse, percebendo cada um a diária de 160 réis pelo prazo de um ano, a serem pagos pela Junta da Fazenda da Província. (Aderbal J. Philippi)

Os primeiros colonos aportaram em Desterro (antiga denominação de Florianópolis-SC) conduzidos pelo brigue Luiza, treze dias depois – 07 de novembro – com 276 imigrantes. Cinco dias após chegou o bergantim Marques de Vianna com 359 pessoas, dos quais 112 homens liberados do Batalhão Estrangeiro do Rio de Janeiro. Enquanto os primeiros foram instalados na Armação da Lagoinha, os outros em quartéis da cidade e a maioria no quartel do Campo do Manejo.

Na época da Capitania fora elaborado um plano de ligação entre a Capital e o Planalto de Lages (Brigadeiro Francisco de Barros Morais Araújo Teicheira Omem – 5.7.1779 a 7.6.1786) com a construção de uma estrada que transpusesse a serra do mar e a instalação de duas colônias. Mas até a chegada dos imigrantes alemães somente havia sido aberto um caminho em meio à floresta atlântica (1788-1790), em condições de oferecer passagem precária para burros de carga e que foi chamado de Caminho das Tropas para Lajes. Seguia em direção a Lages pela parte mais alta da região tendo à sua esquerda o Rio Maruim.

A partir de aproximadamente 30 quilômetros a oeste de S. José, em terras devolutas com lotes de 110 a 220 metros de frente, segundo o número de pessoas da família, e 1.650 metros de fundo - ao longo do Caminho das Tropas para Lajes - foram assentados os colonos. A Colônia foi chamada S. Pedro de Alcântara em homenagem à Família Imperial Reinante, conforme Ofício de 11 de junho de 1829 do Presidente da Província ao Ministro do Império, José Clemente Pereira.

O Louro


S. José foi colonizada por açorianos, que chegaram em 19 de março de 1750. Em 1756 foi elevada à categoria de freguesia e emancipada em 04 de maio de 1833. Em Biguaçu os açorianos chegaram em 1748 com a fundação do povoado de S. Miguel, antiga sede do município. Biguaçu também foi emancipada em 1833. Com o povoamento da região pelos imigrantes alemães e devido a situação geográfica, aos poucos se foram organizando duas Colônias. A de S. Pedro de Alcântara acompanhando a bacia do Rio Maruim no município de S. José, e a do Louro na bacia dos afluentes do Rio Biguaçu.

O povoamento do Louro deu-se a partir dos imigrantes da Colônia S. Pedro que se estabeleceram no Morro do Gato. De lá desceram pelo Rio do Louro, afluente da margem direita do Rio Biguaçu e povoaram a região conhecida inicialmente como Alto Biguaçu e, atualmente, município de Antônio Carlos. As famílias residentes no Louro estavam sob a jurisdição de S. Miguel e depois Biguaçu. Assim os registros civis eram efetuados naquele município. A vila e depois cidade de Biguaçu era conhecida como Barra, pois formou-se na barra do rio Biguaçu que era navegável. Sendo famílias católicas, a freqüência semanal à igreja era obrigatória. Mas a distância da paróquia de São Miguel (cerca de 25 quilômetros) e movidos pelo sentimentalismo - a quase totalidade da população era oriunda de S. Pedro – fez com que freqüentassem esta Paróquia. Em função desta situação, em 1895, as capelas do Alto Biguaçu, passam à jurisdição da paróquia de S. Pedro. Em 1949, entretanto, retornam à Paróquia S. João Evangelista de Biguaçu.

Capela de Santa Bárbara



Santa Bárbara

A primeira capela construída pelos imigrantes foi a de Santa Bárbara na divisa de São Pedro de Alcântara com o Louro, ao lado do caminho das tropas para Lajes, no local denominado Morro do Gato.

A construção foi iniciada em 1835. A primeira foi feita com paredes de pau-a-pique e a segunda com tábuas. Ruiu em 1915, mas no local foi erguida uma cruz de ferro, onde até o início da década de 1960, anualmente no dia 04 de dezembro, celebrava-se a festa da padroeira. Na sua visita a São Pedro de Alcântara em maio de 1845, o Padre Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva escreve que na celebração de missas na ermida de Santa Bárbara, concorrem ao lugar não só os moradores de São Pedro de Alcântara, como os que habitam as margens e cabeceiras do Rio Biguaçu... Homens, mulheres e crianças, em número de duzentas pessoas, caminhavam a pé, arrostando com prazer tão penosos incômodos! Afirma ainda que esta ermida foi construída com muita simplicidade, porém, está decentemente ornada...O local é péssimo, pois além de ser cercado de morro, está ainda muito assombrado de mato e retirado de vizinhanças.(PHILIPPI, Aderbal João. São Pedro de Alcântara - A primeira colônia alemã de Santa Catarina. Florianópolis: Ed. Do Autor, 1995.)

Ao lado da capela foi construído o cemitério, hoje inexistente. Santa Bárbara certamente desempenhava um papel muito importante na cultura e nas tradições dos primeiros colonos, pois a construção da capela foi uma iniciativa deles, enquanto a de São Pedro Apóstolo, no Louro, foi criada em 1838 por um decreto do governo.

Na Alemanha, Santa Bárbara é a padroeira dos habitantes das regiões montanhosas e dos mineiros. Sua devoção também está ligada às festividades do Natal, às safras, ao namoro e ao casamento. O culto à Santa Bárbara tornou-se popular, no século IX. Jovem dotada de grande beleza fez com que seu pai, Dióscuro, a mantivesse presa em uma torre para afastá-la de seus pretendentes. Na reclusão, secretamente tornou-se cristã. Conta-se que, quando seu pai descobriu a conversão, entrou na cela da torre com a intenção de matá-la. Porém, para seu espanto, a jovem levitou e foi transportada para além de seu alcance. Ele a denunciou ao prefeito Martiniano e Santa Bárbara foi encaminhada à presença de um oficial quando foi torturada para que renunciasse a sua fé. Seu próprio pai, de acordo com as leis vigentes da época, a matou. Santa Bárbara colocou-se de joelhos, em atitude de oração, mas ele decepou-lhe a cabeça. Naquele momento, caiu uma forte tempestade e seu pai foi atingido por um raio, morrendo imediatamente.

Diz a tradição que ela protege de morte trágica, tempestades, chuvas, raios, trovões e explosões. Seu culto foi suprimido pela Igreja Católica em 1969.


A ermida de Santa Bárbara (1838-1915)



Interior do monumento



As placas


Igreja Matriz de S. Pedro de Alcântara



A primeira igreja construída em São Pedro era de pedra bruta, porque naquela época, segundo Antônio Pedro Clasen, não havia aqui quem cortasse pedras. (Aderbal J. Philippi) No início da década de 20 iniciaram-se os preparativos para a construção da nova igreja. Defendente Rampinelli, natural da Lombardia, Itália (*1877) e casado com Gertrudes Sens (*1882) de Colônia Santa Isabel,coordenou todos os trabalhos da construção. O pároco era o Padre Bernardo Füchter que com a sua liderança e entusiasmo mobilizou toda a comunidade.

Dizem alguns que toda a riqueza da Colônia, nestes anos de prosperidade do pós-guerra, foi canalizada para a construção desta obra monumental para a época. A mão-de-obra especializada era paga e o pároco, nas missas de domingo, divulgava a lista dos agricultores que trabalhariam – gratuitamente - na semana seguinte. Estes já vinham com juntas de bois necessárias para a realização do serviço. O altar-mor veio da Alemanha e foi transportado de São José até São Pedro, nos ombros do povo, segundo o mesmo depoente.

Dos quatro altares laterais feitos em madeira nos anos de 1933 e 1934, os dois mais próximos ao altar principal, foram construídos por Antônio Pütz (*), filho de José Pütz (1862-1913), irmão de Francisco Pitz.



Inaugurada oficialmente em 1929, nas comemorações do centenário da imigração alemã em Santa Catarina, levou 21 anos para ser totalmente concluída. Em 21 de dezembro de 1950 foi solenemente consagrada.



Altar construído por Antônio Pütz
(*)Antônio Pütz (+15/08/1963), o marceneiro-artista que construiu altares, móveis e acabamentos em madeira para diversas igrejas da região da grande Florianópolis, era bisneto de Michael Pütz, sênior, e filho de José Pütz (*1862) e Maria Luisa Reinert. Moravam no Louro. A família mudou-se para Gaspar-SC. Em 1900, aproximadamente, ele foi morar em Varginha e depois em Santo Amaro da Imperatriz. Toni Jochem pesquisa a sua vida e obra.

Famílias Pitz (Pütz) e Vilpert (Wilbert)

A FAMÍLIA PÜTZ


Emigração para o Brasil


A lenda do Pitz que veio dentro de um barril

Diz a tradição familiar que o Pitz era tão pequeno que veio da Alemanha de navio, dentro de um barril. Era motivo de chacota. Parecia apenas uma lenda, mas há algo de verdadeiro nesta história. Tudo indica que um menor de idade viajava como clandestino e foi adotado pela família Pütz. Ele não viajava dentro do barril porque era pequeno, mas para esconder-se. Teria, possivelmente, entre 14 e 16 anos e passaria a ser o filho mais velho da família Pütz. Seu nome era Jakob Bornhausen, patriarca de uma das mais ilustres famílias de Santa Catarina.

Afirma Aderbal João Philippi que houve alguns casos de passageiros clandestinos, quase sempre órfãos, que ao serem descobertos, foram amparados e garantidos por outras famílias, como contam as tradições familiares. Ainda segundo o mesmo autor, Jakob Bornhausen estava sem indicação do navio que o transportou até Desterro e sem indicação da data em que entrou na Colônia São Pedro de Alcântara.

O primeiro registro público de Jakob Bornhausen aconteceu quando com a sua mulher, Johanna Pütz, recebeu em 1847, a Sorte número 54 na Colônia Santa Isabel. Já tinham quatro filhos. A filha mais velha, Luisa ou Isabel, tinha 13 anos. Deveriam estar morando com Michael Pütz.

Michael Pütz nasceu em 20 de dezembro de 1781, em Oberemmel(1). Casou-se em 1814 com Anna Maria Kirchen da mesma localidade(2).

(1)Pesquisa do professor Ivo Pitz.
(2)Registro de Oberemmel – St. Briktius Familienbuecher.

Ele (47 anos) com a mulher Anna Maria (43 anos) e os filhos Johanna (13 anos), Michael (9 anos), Franz (7 anos) e Anna (4 anos), chegaram à Ilha de Santa Catarina no brigue Luiza no dia 07 de novembro de 1828.

Foram alojados provisoriamente na Armação de Sant´Ana da Lagoinha implantada em 1772 na costa sudeste da ilha, atual Armação do Pântano do Sul, nos galpões que haviam ficado disponíveis com o término da pesca da baleia pelos armadores portugueses (13-11-1827).


Registro da caça da baleia no litoral de Santa Catarina

A família Pütz entrou na Colônia S. Pedro no dia 1º de novembro de 1829 e foi aquinhoada com um lote no lado norte (direito) do Caminho das Tropas para Lajes, vizinha à localidade denominada posteriormente pelos colonos de Katzenberg e conhecida como Morro do Gato, onde seria construída a pequena igreja de Santa Bárbara, na divisa entre os atuais municípios de São Pedro de Alcântara e Antônio Carlos.

A igreja foi dedicada à padroeira contra as tempestades - reza a tradição oral - em função de uma promessa feita nos momentos mais perigosos da travessia do Atlântico.

As primeiras casas, assim como a igreja, foram construídas com uma estrutura de troncos de árvores, paredes de pau-a-pique (feita de ripas ou varas entrecruzadas e barro), cobertas com folhas de palmeira e chão batido.

Der Katzenberg (O Morro do Gato, embora a tradução literal seja Morro dos Gatos) - ainda assim chamado nos dias atuais - é o ponto mais elevado da região, de onde se avista a Ilha de Santa Catarina. Dá o seu nome aos morros em volta e à pequena comunidade de famílias de agricultores que lá residem, atualmente também conhecida como Morro da Glória (Gruta de Nossa Senhora da Glória) no município de Antônio Carlos. Foi chamado de Morro de São João pelo Pe. Oliveira e Paiva que percorreu a região em 1845.

A propriedade da família Pitz, num declive acentuado acompanha o Rio do Louro que ali nasce e segue em direção leste para desaguar no Rio Biguaçu que tem a sua foz na baía norte entre o continente e a ilha de Santa Catarina.


Exato local onde Michael Pütz se instalou no início de 1830. Aqui ainda residem descendentes seus

Vista panorâmica do Louro (2004)-(clique sobre a foto pra ver a imagem ampliada)


Louro-pardo

O nome Louro é originário da árvore do mesmo nome. (Aqui a árvore encontrada é o louro-pardo, nome científico: cordia trichotoma. Madeira de lei da melhor qualidade. Não confundir com o arbusto Laurus Nobilis, cujas folhas são utilizadas como tempero). Os descendentes de alemães chamam a região de Loa ou Lua (Di Petza wohna en da Lua = Os Pitz moram no Louro). O nome Lorbeer (louro, em alemão), é abreviado para Lor (pronuncia-se Loa).

Os filhos de Michael Pütz casaram-se com imigrantes da mesma colônia.

Johanna casou-se com Jacob Bornhausen e faleceu em 15 setembro 1885.

Michael (filho) casou-se, em primeiras núpcias, com Elisabetha Schmitt (*1819 +15/04/1856) e tiveram cinco filhos:
Maria (+ 5/07/1867);
Miguel (1818-02/03/1917);
Adão (*02/02/1850);
Maria Madalena (*22/06/1854) e
Catarina.

Em segundas núpcias, em 13 de fevereiro de 1857, com Margarida Schmitz. Deste casamento nasceram seis filhos:
Pedro (1859-1914);
João (1861-14/03/1899);
José (27/07/1862-24.03.1913);
Margarida (*07/02/1864);
Nicolau (27/7/1867-11/02/1935) e
Francisco (1875-01/09/1931).
Estabeleceu-se na propriedade do pai, no Louro. Faleceu no dia 11 de abril de 1884 e foi sepultado no cemitério da Capela do Louro.

Franz recebeu em 1847 a Sorte n. 56, lado esquerdo, com 100 braças de frente por 1000 braças de fundo, em Colônia Santa Isabel. Casou-se com Katharina Eberhardt, e consta o registro de um filho, Miguel.

Anna casou-se com Wilhelm Johann Karl Friedrich Kahl. Adquiriu terras em Congonhas, margem direita, Colônia Angelina. Tiveram onze filhos.

Há registro de que Miguel Pitz (não é dada a ascendência) adquiriu em 1864 o lote rural n. 11 em Gaspar, Santa Catarina.

O Nome Pütz


Pütz, no dialeto, significa fonte, nascente, poço, chafariz (mundartlich "Pütz" = Brunnen). A informação está em Marienkapelle, capela construída entre 1714 e 1716 em Rhöndorf, perto de Bonn, pelo Baumeister Michael Pütz.

Pütz ou Pütze, na linguagem náutica significa balde, chave, e tina (cuba, banheira). O verbo pützen significa limpar. (Pütz oder Pütze - Lenzgefäß (Verb = pützen), Eimer, Schüssel, Wanne . (http://de.wikipedia.org/)

Típica fonte (Brunnen) de uma aldeia alemã


Detalhe

No hunsrückisch fala-se Petz (der Petz – no singular e, die Petzer no plural).

Por que no Petz e não Pütz? Porque no dialeto o ü tem o som de e.

Alguns exemplos:

Grün (verde) - kren;
Glück (felicidade, sorte) - Kleck;
blühen (florescer) - blehen;
Lücke (abertura, fresta) - Leck;
füttern (dar comida aos animais) - fetern;
müd (cansado) - med;
kühl (fresco, frio) - kehl.
früh (cedo, de madrugada) - freh.

No hunsrückisch, Petz é a pronúncia de Pütz.

Pedro Pütz fala-se Petzer Peder (Petza Peda, com p forte, onde o nome de família antecede o prenome), isto é, Pedro, dos (da família) Pütz.

Francisco Pitz


Francisco (Petza Chic), filho de Michael Pütz (filho) nasceu em 1875, no Louro. Casou-se com Luiza Gesser (1880-1952?), nascida próxima à sede da Colônia S. Pedro. Luiza era filha de Pedro Gesser (1843-1915) e Luiza Hoffmann (*1845). Neta de Johann Gesser (1812–1885) e Katharina Klasen; e de Augustinus Hoffmann e Maria Elisabetha Ostermann.

Inicialmente fixaram residência na propriedade do pai de Francisco, no Louro, hoje pertence ao neto José Francisco Pitz, dedicando-se, principalmente, ao cultivo da cana de açúcar, à fabricação de açúcar grosso, plantação de mandioca e milho.


No Louro nasceram os 13 filhos: Fredolino (Fredolin), Arnoldo (Arnold), Virgílio (Virgil), Sebastião (Sebástian), Leonardo (Lêonad), Pedro (Peda), José (Zé), Júlio (Jul), Alfredo (Freda), Bertolina (Berta), Maria (Marie), Rainilda (Nila) e Albertina (Betina).

Mais tarde adquiriram uma propriedade vizinha, em Campo de Demonstração, S. Pedro, para onde se mudaram. Esta propriedade pertence atualmente ao neto Nicolau Pitz.

Francisco, após tratamento médico em Florianópolis-SC, faleceu em sua residência, no dia 1º de setembro de 1931.

A FAMÍLIA VILPERT (WILBERT)


Conheça aqui a história da família Wilbert e de Roberto Vilpert e Maria Madalena Schveitzer .